sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Biblioteconomia para Leigos: um guia pros desavisados e interessados



Muita gente desconhece a nossa atuação e, mais grave ainda, a existência da nossa profissão.

Pensando nisso, resolvi escrever uma série chamada Biblioteconomia para Leigos.


Eu me amarro em falar sobre a nossa profissão e cativar pessoas pra nossa área. E você?

Vamos lá?



1 Biblio o quê?


TE-CO-NO-MI-A.

Não tem nada a ver com a Bíblia e nem com Economia, ok?

Mais chamada de Biblio pelos íntimos, quem se forma nesse curso não é biblioteconomista e nem bibliotecólogo, é BIBLIOTECÁRIA(O). <3




2 Mas tem curso superior pra ser Bibliotecário?


Amada?!



Tem sim e não tem só graduação na nossa área não, tá?

Tem especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado...o céu é o limite!

Além disso, nossa profissão é regulada e só pode ser exercida por graduados em Biblioteconomia.

Se você presenciar uma biblioteca sem bibliotecário por aí, pode denunciar pro Conselho de Biblioteconomia da sua região, por favor.


3 E onde faço esse curso, gente


Tem Biblio na maior parte das Universidades Federais e Estaduais do Brasil. Ele também é oferecido em algumas faculdades particulares. E recentemente vem sendo oferecido na modalidade EaD também. <3

Faculdade de Ciência da Informação da UnB. Fonte: http://www.fci.unb.br/ .


4 COM A INTERNET, AS BIBLIOTECAS VÃO ACABAR?


Não, cara pálida!

Na verdade, as bibliotecas vem utilizando as tecnologias da informação a seu favor e estão cada vez mais relevantes, uma vez que, não tendo fins comerciais, são fontes CONFIÁVEIS de informação.

A INTERNET É NOSSA ALIADA!

A Internet e as tecnologias da informação trouxeram inúmeras vantagens pras bibliotecas, entre elas:

1- Otimização das buscas no catálogo, que ficaram mais fáceis e rápidas via sistema.

2- Ampliação do acesso ao acervo, já que é possível acessar as coleções digitais de qualquer lugar.

3- Ampliação da divulgação dos serviços e acervos da biblioteca, por meio do site, redes sociais da biblioteca e tráfego vindo do Google.

4- Ampliação da possibilidade de atendimento: por e-mail, redes sociais, chat e até pelo Zap!


Afinal, EU PAGO INTERNET É PRA ISSO!

Inclusive, as bibliotecas físicas vem reinventando a sua atuação como centros de promoção da cultura e/ou de apoio irrestrito à comunidade a que ela atende. Já ouviu falar em Biblioteca Parque? Procura aí no Google!

As bibliotecas são lugares vivos, de criação e de troca de conhecimento.

Biblioteca Parque Villa-Lobos - São Paulo (SP)

5 A biblioteca é um organismo em crescimento 


Essa é a 5ª lei da Biblioteconomia ditada pelo nosso pai, o Ranghanatan, em 1931.

Um organismo em crescimento absorve MATÉRIA NOVA, elimina matéria antiga, muda de tamanho e assume novas aparências e formas.


Outro atributo de um organismo em crescimento é a sua EVOLUÇÃO, ou seja, sua variação e evolução em novas formas.

Biblioteca de São Paulo (BSP)

Ranganathan já sabia!

Em 1931, o nosso pai falou: “quem sabe se não virá um dia em que a disseminação do conhecimento, que é função essencial da biblioteca, se fará POR MEIOS DIFERENTES do livro impresso?".

Ranganathan (1892-1972), bibliotecário e matemático indiano,
considerado o pai da Biblioteconomia


Tá vendo aí!? Em 1931.

Os bibliotecários sabem das coisas desde há muito tempo.

 6 Mas O QUÊ o bibliotecário faz afinal?



Apesar de “biblio” remeter a livros, nós aprendemos na faculdade a organizar informação e dados registrados em qualquer coisa, sejam livros, sites, revistas, filmes, áudios, mapas, bancos de dados, fotografias...

Em suma, enquanto houver conhecimento sendo produzido, haverá necessidade de que esse conhecimento seja organizado de modo a ser encontrado.

GESTÃO DA INFORMAÇÃO 














O objetivo do nosso trabalho é facilitar a busca dos nossos usuários por informação. 

Os nossos usuários podem ser estudantes, pesquisadores, jornalistas, curiosos...


Depende do tipo de biblioteca, que pode ser pública, escolar, universitária, especializada...

Pra atingir esse objetivo a gente faz o que chamamos de GESTÃO DA INFORMAÇÃO. Em suma, isso está resumido em 4 áreas.

1ª: CURADORIA













Selecionamos as fontes de informação que são de interesse para os nossos usuários e descartamos o que não é mais pertinente para eles. Fazemos estudos de usuários pra facilitar esse trabalho.

2ª: PROCESSAMENTO TÉCNICO

















Catalogamos, indexamos e classificamos informação.

Essa etapa é crucial para que os usuários achem as informações que buscam. Por isso, seguimos rigorosos códigos internacionais.

Padronização e controle são nosso sobrenome, pra não virar bagunça.


3ª: DISSEMINAÇÃO 

















Somos o canal entre o usuário e a informação que ele precisa. 

Na faculdade, aprendemos técnicas para entendê-los e ajudá-los de fato.

Além disso oferecemos guias, manuais, bibliografias, serviços de alerta, etc. para antecipar as demandas que a gente já sabe que eles tem. 

E nada de ficar com o braço cruzado esperando o usuário vir até a gente. Como qualquer organização que presta serviços, lançamos mão do marketing para atrair cada vez mais usuários e agregar valor à informação que organizamos pra eles. 

4ª: GESTÃO 












E pra dar conta de tudo isso com eficácia é preciso PLANEJAR todos os nossos processos. 

Além disso é preciso dar conta de aspectos burocráticos da biblioteca, como manutenção do espaço, compra de mobiliário e materiais, contratação de pessoal, gestão do contrato de sistemas e bases de dados, negociação com fornecedores, profissionais de áreas de apoio e diretores da instituição a qual a biblioteca pertence.

Outro aspecto importante da profissão é a gestão da preservação de dados e documentos, físicos ou digitais.

7 E tem mercado para bibliotecário no Brasil?












Tem sim!

No setor público e no privado. 

Nosso maior mercado aqui no Brasil é em bibliotecas, mas somos necessários e requisitados para trabalhar com normalização de publicações, arquitetura da informação, centros de memória institucionais, empresas de bases de dados acadêmicas e científicas..



8 Então bibliotecário não trabalha só em biblioteca?


Não necessariamente.

A nossa formação nos prepara para organizar, preservar e disseminar informação, o que amplia o nosso escopo de atuação para além dos acervos digitais ou físicos de bibliotecas.

Por isso, também somos conhecidos como profissionais e/ou cientistas da informação.



10 E quanto ganha o bibliotecário?



Aqui no Brasil, os salários mais altos estão no serviço público, em que os salários iniciais variam de 4 a 20 mil reais por mês.

Como em todas as profissões, há ofertas de trabalho com salários baixos também, inclusive no serviço público. O que acontece é que as instituições que não valorizam o nosso trabalho tem alta rotatividade, isso quando conseguem preencher a vaga oferecida.

Concluíndo, a Biblioteconomia é uma profissão do futuro?


Na verdade, nossa profissão existe há milhares de anos e sempre foi se adaptando à realidade da sociedade.

Teve um tempo em que a nossa função era preservar livros, que eram considerados artigos de luxo e mantidos a 7 chaves.

Só no século XVIII, com o iluminismo, nossa perspectiva mudou da preservar para
dar acesso ao conhecimento.

Com a explosão informacional do período pós segunda guerra e o pessoal produzindo artigo científico a rodo, nasceu a Ciência da Informação, nossa filha, que estuda "as propriedades da informação e os processos de sua construção, comunicação e uso.”

Nossa preocupação em organizar, preservar e dar acesso a dados, informação e conhecimento só ganha novas formas, à medida em que temos novas tecnologias disponíveis para facilitar esse trabalho e à medida em que as próprias tecnologias possibilitam outras formas de criação e acesso ao conhecimento.

A Biblioteconomia é, portanto, uma profissão do presente, do passado e do futuro.  


GOSTOU?

Compartilha essa postagem pras pessoas que você conhece saberem um pouco mais sobre a nossa profissão. =)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Dicas de uma Biblio Concurseira viajante




Hoje a palavra está com a Isabella Carolina, que é uma biblio concurseira viajante em exercício.

Ela é a minha amiga da semana passada, que perguntou minha opinião sobre ir ou não fazer um concurso em outra cidade.

Acontece que, depois do meu post, ela me sugeriu acrescentar algumas dicas que ela também acha serem importantes.

Ao invés disso, pedi pra própria Isa escrever aqui pra gente e ela aceitou de muito bom grado. É ou não é uma fofa? <3

Sem mais delongas, com a palavra a Isabella:

Queridos e queridas, saiu edital de concurso com vaga de biblio em outra cidade ou estado, o que fazer? Venho aqui listar alguns indicadores pra ajudar na decisão de prestar o concurso ou não:

1 - Valor da taxa de inscrição

Pra quem está desempregado, o valor da taxa pesa muito na decisão. Atualmente, a maioria dos concursos de nível superior apresenta taxa no valor de 100 reais em diante. Mesmo pra quem possui emprego, esse valor faz diferença no orçamento. Então, calcule suas despesas e veja se vale a tentativa.

2- Remuneração do cargo

Em concurso público, não aceito remuneração abaixo de 3.000,00 reais, seja em qualquer estado. Temos que valorizar nossa profissão e principalmente nosso conhecimento. Dignidade sempre!

3- Custo e qualidade de vida na cidade de lotação de trabalho e cidades vizinhas

Se a remuneração for baixa, nem precisa pensar neste tópico. Mas, pensando em uma remuneração acima de 3.000,00 reais, conseguimos ter uma noção de qual será o custo na cidade (alimentação, transporte e moradia) assim como a qualidade de vida (possibilidade de fazer exercícios físicos ao ar livre, eventos culturais, opções de lazer em geral)

4- Banca do concurso

Eu não costumo fazer provas do CESPE/CEBRASPE pelo estilo de provas deles (certo ou errado). Mas tem gente que se prepara bastante só pra essa banca. Gosto muito da FCC, mas, geralmente, não escolho o concurso pela banca e sim pelo conjunto de indicadores desta postagem. FGV Projetos também considero uma boa banca. Essas três são as bancas que sei que as provas são puxadas mas que se estivermos preparados, conseguimos pelo menos uma aprovação. Outra coisa, a FCC costuma colocar prova discursiva além da objetiva então se você não curte redação, fuja dela. kkkkk

5- Conteúdo programático

Sobre conhecimentos básicos, costumam cair Língua Portuguesa e Raciocínio Lógico ou Informática ou Legislação ou Atualidades ou Conhecimentos sobre a cidade. O que terá de conhecimentos básicos na prova depende muito da banca e da instituição pra qual o concurso será realizado.
Todas as provas terão língua portuguesa e alguma outra área que pode ser uma das mencionadas acima. Gosto de fazer concursos com o mesmo conteúdo programático, em um mesmo período de tempo, pra não desviar o foco.
Sobre conhecimentos específicos, a base da Biblioteconomia é sempre a mesma, porém, se a instituição é mais tecnológica, o conteúdo terá um viés no mesmo estilo (RDA, FRBR, uso de ebooks, bibliotecas digitais, preservação digital, acesso aberto, entre outros). Se a instituição for um centro de memória, haverá questões sobre conservação e preservação de documentos, quais os tipos de documentos existentes, por exemplo. Se for uma instituição jurídica, pode ter questões sobre a CDDir (famosa CDDoris), referências sobre jurisprudências, leis e doutrinas.

6- Tempo de estudo

Análise se o tempo entre a publicação do edital e a data da prova é viável para um bom planejamento de estudo. Se você já vem estudando há um tempo e o conteúdo é o mesmo, vale a pena fazer a prova mesmo que o tempo seja curto (um mês). Mas, se você vai começar agora e a prova já é mês que vem, não recomendo fazer com a intenção de ser o primeiro colocado. Entretanto, vale fazer por experiência se você tiver condições e avaliar que é possível tentar o concurso.

7- Rota de viagem

Meu conselho é sempre ir de avião por ser mais confortável quando o local de prova é em outro estado.
Para quem dirige, o carro também é uma boa opção se a pessoa viajar num dia e fizer a prova no outro para estar mais descansada, a não ser que a distância seja de menos de 2 horas de viagem.
Independente da distância, planeje-se para sempre chegar com antecedência nos locais de prova porque imprevistos acontecem. Se a prova é no horário da manhã, madrugue. Se a prova é no horário da tarde, almoce cedo e saia.
Usar os apps Uber e 99 para se deslocar até o local de prova também é uma boa opção pra quem está em grupo.

8- Hospedagem

Se você preza por conforto, alugue um hotel pequeno e barato próximo ao local de prova. Pode conferir no site trivago.com.br ou no booking.com
Se você só quer um lugar pra dormir e que seja o mais barato possível, reserve um local no airbnb.com.br
Independentemente de onde você vá ficar, analise a distância do local de prova, se a hospedagem tem café da manhã ou, se não tiver, que tenha uma padaria por perto ou supermercado e olhe as avaliações da hospedagem no site de reserva. Eu sempre gosto de ver se tem shopping perto porque é o que abre no domingo com certeza, então não preciso perder tempo procurando lugar aberto pra almoçar no domingo em um local que não conheço. Se não tiver shopping perto, ligue para o local de hospedagem antes de reservar e pergunte se tem local para almoço por perto aos domingos. Tente hospedar-se próximo ao aeroporto também porque tem lugares que não possuem transporte público na entrada/saída do aeroporto.

9- Perfil profissional

Na nossa área, temos vários tipos de bibliotecas e cada uma precisa de profissionais com perfis variados.

Biblioteca pública: tem como público qualquer pessoa; a biblioteca pode ser dividida em setores ou não; geralmente, a biblioteca possui apenas um bibliotecário; poderá atuar não só como bibliotecário, mas também como um gestor cultural; lidará com políticos; poderá ter envolvimento com políticas públicas na área do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas.

Biblioteca escolar: relacionamento direto com professores; terá como usuários as crianças, adolescentes, professores e outros funcionários da escola; poderá lidar com poucos recursos para trabalho; realização de atividades de leitura com crianças e adolescentes; geralmente, a biblioteca possui apenas um bibliotecário, porém poderá conseguir voluntários ou outros funcionários da biblioteca para auxílio no dia a dia do trabalho.

Biblioteca universitária: mais de um bibliotecário; organizada por setores, ou seja, você pode ficar na área de processamento técnico ou na referência, por exemplo; relacionamento direto com professores; avaliação do MEC; usuários são os universitários, professores, funcionários da universidade e usuários externos que podem fazer consulta no local.

Biblioteca jurídica: acervo especializado em Direito; usuários podem ser advogados, estagiários, procuradores, desembargadores e juízes; pode ser setorizada também; ambiente formal, uso de roupas formais; trabalhará com leis, jurisprudências e doutrinas; uso de base de dados; disseminação seletiva da informação (DSI).

Biblioteca hospitalar: uso de base de dados; disseminação seletiva da informação (DSI); usuários são os médicos, enfermeiros e outros funcionários; acervo físico desatualizado e desgastado.
Biblioteca especializada: acervo especializado que pode conter diferentes tipos de documentos (livros, periódicos, filmes, CDs, mapas, fotografias).

Analise bem o perfil de profissional e pessoa que você é e faça sua escolha. Como as taxas de inscrição não costumam ser baratas, não dá pra você sair fazendo todos os concursos pela frente, então foque em uma área em que você se identifique.

Obs.: Pedir dinheiro emprestado a amigos ou parentes não é vergonha e sim investimento. (Faço muito com meu pai e minha mãe porque não uso cartão de crédito). Nessas horas, até vaquinha online vale tentar. kkkkk (não cheguei nesse nível).

Bibliobeijos,


@isacanaspin





Guia dos concursos de Biblioteconomia

     R$ 89,90  (até 9 x sem juros) Comprar Gente, enfim nasceu meu primeiro e-book. <3 Foram meses de muita dedicação, apesar do tempo ap...