Biblioteconomia para Leigos: um guia pros desavisados e interessados



Muita gente desconhece a nossa atuação e, mais grave ainda, a existência da nossa profissão.

Pensando nisso, resolvi escrever uma série chamada Biblioteconomia para Leigos.


Eu me amarro em falar sobre a nossa profissão e cativar pessoas pra nossa área. E você?

Vamos lá?



1 Biblio o quê?


TE-CO-NO-MI-A.

Não tem nada a ver com a Bíblia e nem com Economia, ok?

Mais chamada de Biblio pelos íntimos, quem se forma nesse curso não é biblioteconomista e nem bibliotecólogo, é BIBLIOTECÁRIA(O). <3




2 Mas tem curso superior pra ser Bibliotecário?


Amada?!



Tem sim e não tem só graduação na nossa área não, tá?

Tem especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado...o céu é o limite!

Além disso, nossa profissão é regulada e só pode ser exercida por graduados em Biblioteconomia.

Se você presenciar uma biblioteca sem bibliotecário por aí, pode denunciar pro Conselho de Biblioteconomia da sua região, por favor.


3 E onde faço esse curso, gente


Tem Biblio na maior parte das Universidades Federais e Estaduais do Brasil. Ele também é oferecido em algumas faculdades particulares. E recentemente vem sendo oferecido na modalidade EaD também. <3

Faculdade de Ciência da Informação da UnB. Fonte: http://www.fci.unb.br/ .


4 COM A INTERNET, AS BIBLIOTECAS VÃO ACABAR?


Não, cara pálida!

Na verdade, as bibliotecas vem utilizando as tecnologias da informação a seu favor e estão cada vez mais relevantes, uma vez que, não tendo fins comerciais, são fontes CONFIÁVEIS de informação.

A INTERNET É NOSSA ALIADA!

A Internet e as tecnologias da informação trouxeram inúmeras vantagens pras bibliotecas, entre elas:

1- Otimização das buscas no catálogo, que ficaram mais fáceis e rápidas via sistema.

2- Ampliação do acesso ao acervo, já que é possível acessar as coleções digitais de qualquer lugar.

3- Ampliação da divulgação dos serviços e acervos da biblioteca, por meio do site, redes sociais da biblioteca e tráfego vindo do Google.

4- Ampliação da possibilidade de atendimento: por e-mail, redes sociais, chat e até pelo Zap!


Afinal, EU PAGO INTERNET É PRA ISSO!

Inclusive, as bibliotecas físicas vem reinventando a sua atuação como centros de promoção da cultura e/ou de apoio irrestrito à comunidade a que ela atende. Já ouviu falar em Biblioteca Parque? Procura aí no Google!

As bibliotecas são lugares vivos, de criação e de troca de conhecimento.

Biblioteca Parque Villa-Lobos - São Paulo (SP)

5 A biblioteca é um organismo em crescimento 


Essa é a 5ª lei da Biblioteconomia ditada pelo nosso pai, o Ranghanatan, em 1931.

Um organismo em crescimento absorve MATÉRIA NOVA, elimina matéria antiga, muda de tamanho e assume novas aparências e formas.


Outro atributo de um organismo em crescimento é a sua EVOLUÇÃO, ou seja, sua variação e evolução em novas formas.

Biblioteca de São Paulo (BSP)

Ranganathan já sabia!

Em 1931, o nosso pai falou: “quem sabe se não virá um dia em que a disseminação do conhecimento, que é função essencial da biblioteca, se fará POR MEIOS DIFERENTES do livro impresso?".

Ranganathan (1892-1972), bibliotecário e matemático indiano,
considerado o pai da Biblioteconomia


Tá vendo aí!? Em 1931.

Os bibliotecários sabem das coisas desde há muito tempo.

 6 Mas O QUÊ o bibliotecário faz afinal?



Apesar de “biblio” remeter a livros, nós aprendemos na faculdade a organizar informação e dados registrados em qualquer coisa, sejam livros, sites, revistas, filmes, áudios, mapas, bancos de dados, fotografias...

Em suma, enquanto houver conhecimento sendo produzido, haverá necessidade de que esse conhecimento seja organizado de modo a ser encontrado.

GESTÃO DA INFORMAÇÃO 














O objetivo do nosso trabalho é facilitar a busca dos nossos usuários por informação. 

Os nossos usuários podem ser estudantes, pesquisadores, jornalistas, curiosos...


Depende do tipo de biblioteca, que pode ser pública, escolar, universitária, especializada...

Pra atingir esse objetivo a gente faz o que chamamos de GESTÃO DA INFORMAÇÃO. Em suma, isso está resumido em 4 áreas.

1ª: CURADORIA













Selecionamos as fontes de informação que são de interesse para os nossos usuários e descartamos o que não é mais pertinente para eles. Fazemos estudos de usuários pra facilitar esse trabalho.

2ª: PROCESSAMENTO TÉCNICO

















Catalogamos, indexamos e classificamos informação.

Essa etapa é crucial para que os usuários achem as informações que buscam. Por isso, seguimos rigorosos códigos internacionais.

Padronização e controle são nosso sobrenome, pra não virar bagunça.


3ª: DISSEMINAÇÃO 

















Somos o canal entre o usuário e a informação que ele precisa. 

Na faculdade, aprendemos técnicas para entendê-los e ajudá-los de fato.

Além disso oferecemos guias, manuais, bibliografias, serviços de alerta, etc. para antecipar as demandas que a gente já sabe que eles tem. 

E nada de ficar com o braço cruzado esperando o usuário vir até a gente. Como qualquer organização que presta serviços, lançamos mão do marketing para atrair cada vez mais usuários e agregar valor à informação que organizamos pra eles. 

4ª: GESTÃO 












E pra dar conta de tudo isso com eficácia é preciso PLANEJAR todos os nossos processos. 

Além disso é preciso dar conta de aspectos burocráticos da biblioteca, como manutenção do espaço, compra de mobiliário e materiais, contratação de pessoal, gestão do contrato de sistemas e bases de dados, negociação com fornecedores, profissionais de áreas de apoio e diretores da instituição a qual a biblioteca pertence.

Outro aspecto importante da profissão é a gestão da preservação de dados e documentos, físicos ou digitais.

7 E tem mercado para bibliotecário no Brasil?












Tem sim!

No setor público e no privado. 

Nosso maior mercado aqui no Brasil é em bibliotecas, mas somos necessários e requisitados para trabalhar com normalização de publicações, arquitetura da informação, centros de memória institucionais, empresas de bases de dados acadêmicas e científicas..



8 Então bibliotecário não trabalha só em biblioteca?


Não necessariamente.

A nossa formação nos prepara para organizar, preservar e disseminar informação, o que amplia o nosso escopo de atuação para além dos acervos digitais ou físicos de bibliotecas.

Por isso, também somos conhecidos como profissionais e/ou cientistas da informação.



10 E quanto ganha o bibliotecário?



Aqui no Brasil, os salários mais altos estão no serviço público, em que os salários iniciais variam de 4 a 20 mil reais por mês.

Como em todas as profissões, há ofertas de trabalho com salários baixos também, inclusive no serviço público. O que acontece é que as instituições que não valorizam o nosso trabalho tem alta rotatividade, isso quando conseguem preencher a vaga oferecida.

Concluíndo, a Biblioteconomia é uma profissão do futuro?


Na verdade, nossa profissão existe há milhares de anos e sempre foi se adaptando à realidade da sociedade.

Teve um tempo em que a nossa função era preservar livros, que eram considerados artigos de luxo e mantidos a 7 chaves.

Só no século XVIII, com o iluminismo, nossa perspectiva mudou da preservar para
dar acesso ao conhecimento.

Com a explosão informacional do período pós segunda guerra e o pessoal produzindo artigo científico a rodo, nasceu a Ciência da Informação, nossa filha, que estuda "as propriedades da informação e os processos de sua construção, comunicação e uso.”

Nossa preocupação em organizar, preservar e dar acesso a dados, informação e conhecimento só ganha novas formas, à medida em que temos novas tecnologias disponíveis para facilitar esse trabalho e à medida em que as próprias tecnologias possibilitam outras formas de criação e acesso ao conhecimento.

A Biblioteconomia é, portanto, uma profissão do presente, do passado e do futuro.  


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Compartilha essa postagem pras pessoas que você conhece saberem um pouco mais sobre a nossa profissão. =)

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